sábado, 4 de junho de 2016

AS FRUSTRAÇÕES NOSSAS DE CADA DIA.

              Apesar de esquisito, a frustração nos é relevante na formação psicológico como indivíduos, particularmente na infância. 

      O modo mais simples é defini-la ,apesar de ter várias definições,como uma vontade vinda de um desejo não realizado;( uma reação da expectativa não correspondida ou realizada. Isto gera ansiedade interna, vivenciada como tristeza e/ou sentimento de incapacidade, podendo, em muitos casos, trazer até desespero. A tristeza surge quando um almejo pessoal não é alcançado, mas tem-se a consciência que o êxito não dependia só de si, como exemplo: assumir uma função no trabalho e não receber o apoio prometido. Já o sentimento de incapacidade acompanhado da tristeza ocorre quando o acontecimento dependia só da própria pessoa, por exemplo: estudar para um concurso e não conseguir a aprovação)³.

Apesar de parecer um sentimento negativo de fracasso, a frustração é importante no desenvolvimento psicológico dos indivíduos, principalmente na infância. Ela ensina a ter a capacidade de adiar gratificações e propicia uma melhor adaptação à vida em sociedade.
Uma criança superprotegida que tem seus desejos satisfeitos sempre de imediato pode ter dificuldades adaptativas na fase adulta frente às frustrações. Tem grande probabilidade de tornar-se insatisfeita e pode desenvolver crises emocionais por esse modo de ser.
A sociedade moderna, em sua organização consumista e materialista, incita o homem ao prazer e às satisfações imediatas e quando isto não ocorre surge a frustração, que é vista como uma experiência negativa e dolorosa. Quase todos os contextos da sociedade parecem querer livrar o ser humano dessa experiência. No lar, os pais se esforçam para dar ao filho satisfação imediata dos seus desejos na tentativa de protegê-lo contra uma possível frustração. As políticas públicas querem dar à população uma condição de segurança, um conforto psicológico, para combater ou pelo menos aliviar os sentimentos negativos. Dificilmente essas políticas conseguem proteger o cidadão e a frustração torna-se ainda maior, como estamos vivenciando nos dias atuais. As escolas procuram agradar os pais e os alunos na tentativa de afastá-los da frustração. Para isto, esquecem muitas vezes as normas essenciais para um bom desenvolvimento educacional da criança quer seja no campo pedagógico, psíquico ou espiritual. A medicina se esforça para curar o paciente ou pelo menos aliviar as suas dores e sofrimentos, nem que tenha que exceder-se na prescrição de medicamentos, podendo acarretar uma enorme frustração.
Enfatizamos que querer evitar frustrações funciona como um bloqueador importante à maturidade espiritual, pois pode determinar uma adaptação deficiente para a vida em sociedade. O melhor é saber adiar o êxito, as gratificações, os prazeres diante dos desejos, para que ocorra uma boa capacidade adaptativa para se viver melhor. Esta capacidade é decorrente da maturidade psíquico-espiritual e por isto cada um responde de uma forma que lhe é peculiar. Observamos na sociedade e na prática da psiquiatria que a capacidade adaptativa está sendo perdida ou muito enfraquecida por grande parte dos indivíduos.
Todos nos deparamos constantemente com obstáculos naturais, com a vontade de outros, com as nossas próprias contradições. O que imaginamos para responder a essas situações é determinado por atitudes profundamente enraizadas em nós, em nosso caráter, em nossa herança espiritual. Assim, as frustrações nossas de cada dia tornam-se evidentes e frequentes.
Algumas pessoas, diante da frustração, se lançam agressivamente contra os outros como se estes fossem os culpados pela situação; outros se acusam e voltam a agressividade contra si próprios; e, ainda, aqueles que afirmam que não há culpados pela sua frustração, encarando-a de um modo natural, com muita compreensão, o que lhes permite condutas mais construtivas.
Dissemos que a frustração é uma emoção que desencadeia diversos tipos de sentimentos e ações, muitas vezes de agressividade, ódio e desespero. Como é uma emoção, portanto, é uma elaboração do espírito. É um conflito entre duas forças: a força do desejo do mundo exterior e a força anímica, isto é, uma tensão entre o ego e o eu profundo.
As fontes da frustração podem ser atribuídas às causas externas e às causas internas. Quanto às externas, a impossibilidade de atingir a meta por questões comumente materiais, muitas vezes não dependendo só de si. Como exemplos: quer viajar, mas não tem dinheiro; acha o seu salário muito baixo pelo trabalho que executa; não consegue a promoção almejada na carreira profissional etc. As causas internas envolvem deficiências pessoais, imperfeições da alma, heranças trazidas pelo espírito. Entre tantas: insegurança, medos (de errar, de situações sociais, da própria frustração na busca de algo etc.), pessimismo, desesperança, orgulho, egoísmo, impaciência, falta de perseverança, acarretando dificuldades para atingir o objetivo desejado. Logicamente que existe a frustração resultante da interação entre as duas causas citadas.
Existem vários tipos de frustrações e dentre eles o conflito, que podemos simplificar com os conceitos de Kurt Lewin[1]:
1. Conflito na escolha de duas coisas desejáveis, mas incompatíveis. Exemplo: escolher entre duas festas que acontecem no mesmo dia, na mesma hora e em locais muito distantes. São dois desejos e escolhendo um, logicamente o outro não poderá ser satisfeito. Como são eventos positivos, a frustração de não comparecer a uma das festas será compensada pela alegria que a escolhida lhe proporcionou.
2. Conflito na decisão de uma escolha na qual é previsível a satisfação de um desejo, mas implicará em frustração naquele que deixou de ser escolhido. Exemplo: desejo de viajar, mas implica em gastar toda a sua poupança. A escolha deve ser feita com responsabilidade e entender que a frustração (ficar sem dinheiro) foi decorrente da escolha pela satisfação de um desejo maior (viajar).
3. Conflito na escolha de duas coisas indesejáveis, desagradáveis, mas inevitáveis. Alguns ditos populares o caracterizam: “se ficar o bicho come e se correr o bicho pega”; “ficar entre a cruz e a espada”; “o que quer que ocorra eu vou me danar”. Exemplo: uma pessoa avessa a consultar o médico apresenta uma dor. Deve escolher: ou vai ao médico ou a dor aumenta e a saúde pode complicar-se.
Derivada de um desequilíbrio entre corpo e espírito, a frustração deve ser compreendida e enfrentada para evitar certos comportamentos doentios, tais como: fuga de uma situação que imagina que poderá ser frustrante; evitar situação parecida com a que lhe trouxe frustração por medo de frustrar-se novamente; compensar a frustração com outras satisfações, muitas vezes prejudiciais, como comer em excesso, drogas, álcool, trabalho compulsivo etc.; negativismo excessivo, criando obstáculos imaginários e deixar de tentar um objetivo por medo de frustrar-se etc. Todos esses modos de enfrentamento da frustração podem acarretar transtornos emocionais, portanto são os alvos no tratamento psicológico e psiquiátrico.
No campo espiritual, os conhecimentos sobre o espírito, o cultivo das virtudes e o entendimento e sentido da vida são essenciais para a evolução da maturidade espiritual, para um bom equilíbrio entre corpo e espírito e, consequentemente, um bom enfrentamento do estresse e das frustrações. Necessitamos urgente do pão nosso de cada dia. O pão que nos alimenta com sabedoria para o cultivo das nossas potencialidades benéficas e, dentre elas, a paciência e a compreensão são fundamentais para encarar todas as nossas dificuldades. Lembremos as palavras de Emmanuel[2]: “Paciência é serenidade, compreensão, harmonização, tolerância e, sobretudo, a capacidade de verificar a dificuldade ou desacerto nas engrenagens do cotidiano, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alardes e sem farpas de irritação”.³                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            


³.José Luiz Condotta
1. LEWIN, Kurt. Teoria dinâmica da personalidade. São Paulo: Cultrix, 1975.
2. XAVIER, F.C. Palavras de vida eterna. Pelo Espírito Emmanuel. 9ª edição Uberaba: CEC, 1986, p.357.

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